segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Solistas | Sílvia Cancela | Flauta

Iniciou os seus estudos musicais, em 1993, na Escola Profissional de Música de Viana do Castelo , sob a orientação dos professores de flauta Ivone Saiote, Luís Meireles e Rui Paulo Sousa, concluindo o curso de flauta em 1999.
Licenciada da Escola Superior de Música de Lisboa na classe de Olavo Barros. Prossegue os seus estudos em Paris no Conservatório de Nádia e Lili Boulanger sob a orientação da professora de flauta Florence Délépine Souchard obtendo em Junho 2006 o “Diplôme d’Études Musicales”. Obteve o 1º prémio no Concurso “Prémio Jovens Músicos” na modalidade de música de câmara, nível médio (1999), uma menção honrosa no Concurso “Flûte Traversière de Lutèce” e o 2º prémio no nível superior do “8º Concours National du Flûtiste” (2004), 1º prémio em piccolo por unanimidade no Concurso UFAM (2007).
Membro fundador do quarteto de flautas “Octava” (música contemporânea) que foi laureado com o segundo prémio no 21° concurso Europeu de música de câmara “F.N.A.P.E.C.” em Maio de 2007. Durante a sua formação participou em diversas masterclasses orientados pelos professores: Vinçens Prats, Vincent Lucas, Patrick Galois, Emmnuel Pahud, Avril Williams, Benoit Fromanger, Carol Wincec e Peter Lukas Graf. Colaborou com o Ensemble Philarmonique de Paris. Desde 2001 trabalha regularmente com a Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, pela qual foi convidada à tocar à solo sob a direcção do maestro Jorge Matta. E desde 2003, é titular da Orchestre de Flûte Français de Pierre Yves Artaud (Paris). Em Março de 2008 interpretou, em Portugal, com o pianista francês Claude Bolling as suas “Suites pour flûte et piano jazz trio”. Numerosas prestações em música de câmara em diferentes formações, fórmula de que gosta particularmente.Actualmente, está a concluir em França o curso de aperfeiçoamento em flauta e piccolo.




Fonte: http://www.orchestra-cascais-oeiras.com/solistas2008.html

Solistas | Teresa Cardoso Menezes | Soprano

É considerada pela crítica como: “ (...) uma das mais talentosas cantoras portuguesas actuais, detentora de grande plasticidade vocal e expressiva, sentido dramático e óptimo nível técnico” . Cristina Fernandes – PÚBLICO – Lisboa, 14–12-2002 “Teresa Cardoso de Menezes é, a muitos títulos, um caso de excepção na vida musical portuguesa (...) está para ficar, como uma presença relevante, por mérito próprio (...)” - Rui Vieira Nery - Univ. Évora - 18-10-2007 - Do Livreto do CD Upon a Star
Foi aluna da Elizette Bayan e concluiu o Curso de Canto na Escola Superior Música de Lisboa na classe de Helena Pina Manique, Olga Prats e Nicholas McNair. Em Master-Class estudou com Gundula Janowitz, tendo preparado variado repertório com o Maestro João Paulo Santos no T.N.S.Carlos. É licenciada em Gestão de Empresas pelo ISCTE, Lisboa. Em 1993 foi premiada no Concurso Nacional de Canto Luisa Todi.
Depois de se estreiar em Estrasburgo em 1990, em concerto com a orquestra da FMAC, actuou em diversos locais desde o Teatro Nacional .S. Carlos e Fundação C. Gulbenkian, a Festivais de Verão em Portugal, Dinamarca ... ao Festival Internacional de Música de Macau e trabalhou com orquestras como a Royal Philarmonic Orchestra of London, Orquestra da Ópera Nacional da China, Orquestra Gulbenkian, Orquestra Sinfónica Portuguesa, Orquestra Nacional do Porto, etc.
Foi convidada a cantar em óperas como: Carmen (Frasquita e Micaela) de Bizet, Viúva Alegre (Valencienne) de F. Lèhar, L’Enfant et les Sortilèges (Fogo e o Rouxinol) de Ravel, Il Matrimonio Segreto (Elizetta) de Cimarosa, Rigoletto (Gilda) de Verdi, Parsifal (Flor) de Wagner, Ariadne auf Naxos (Echo) de R. Strauss, Manfred de Schumann, Don Giovanni (D.Anna) de Mozart, Suor Angelica (Suor Genovieffa) de Puccini, La Bohème (Musetta) de Puccini. O seu repertório operático inclui ainda Don Pasquale (Norina) e L’Elisir D’Amore (Adina) de Donizetti, entre outros.
Cantou ainda sob a direcção de: Giuliano Carella, Marko Letonja, Renato Palumbo, Leonardo de Barros , Vasco P. Azevedo, Nicholay Lalov, Osvaldo Ferreira e actuou ao lado de nomes como: Elena Obraztsova, Anna Tomowa-Sintow, Sumi Jo, Miriam Gauci, Vincenzo Bello, Luís Miguel Cintra, Elizabete Matos, Rão Kyao, João Grosso, Henrique Feist, Fernando Gomes, não só no país como no estrangeiro.
Das suas actuações de concerto salienta ainda o Messias de Haendel, o Stabat Mater de D. Scarlatti, com a Orqt. Gulbenkian e Maestro M. Corboz; Palestrina de Pfizner com a Orqt. Gulbenkian e Maestro Michael Zilm; Exsultate, Jubilate de Mozart e a 4ª Sinfonia de G. Mahler, com a Orq, Nacional do Porto e Maestro M. Tardue; a Cantata do Café nº211 e dos Camponeses nº212 de J.S. Bach, o Gloria e Magnificat de Vivaldi, Ein Deutsches Requiem de Brahms, com a Orqt. Sinfonieta de Lisboa e a Orqt. de Cascais e Oeiras. Em recitais de canto e piano destacam-se recitais de Lied e Belcanto em duo com o pianista Francisco Sassetti e em Trio com o Barítono Luis Rodrigues.
De 2003 e 2004, destacam-se os concertos de Árias de Ópera com a Orq. Gulbenkian e direcção de M. Ivo Cruz no CAE da Fig. Fóz; com a Orq. Algarve e direcção de Álvaro Cassuto na inauguração do Festival de Música do Algarve; no Teatro Municipal S. Luiz o espectáculo de João Pereira Bastos intitulado “De Regresso à Broadway” , sob a direcção de Nuno Feist, interpretando canções do West Side Story, The Sound of Music, My Fair Lady, Show Boat, Les Miserables; e ainda a estreia nacional da Cantata Gli Amori di Teolinda, com a Orq. Sinf. Portuguesa sob a direcção de Roberto Polastri. Em 2005 no T.N. S. Carlos cantou o Stabat Mater de Pergolesi. Em 2008 destaca o recital dedicado a Liszt, incluindo Os Sonetos de Petrarca de Liszt, com o grande pianista António Rosado.
Para além das actuações ao vivo transmitidas pelas RDP – Antena 2, a sua arte é bem apreciada nos seus três trabalhos discográficos, inéditos em Portugal. Em 2000 o CD Je Veux Vivre de Árias de Ópera e em 2002 CD Alleluia de Árias Sacras, onde acompanhada pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, o Coro Voces Caelestes e direcção de M. Ivo Cruz, demonstra uma especial versatilidade vocal e dramática desde o período Barroco ao Contemporâneo, passando por Bach, Haendel, Mozart, Verdi, Puccini, Gounod, R.Strauss, Rachamninov, A.Lloyd Webber, entre outros.
Alleluia foi considerado pelo Jornal Expresso (L. Leiderfarb 4.1.2003) como o 3º Melhor Disco do Ano de 2002 , atingindo o Top da Fnac em Música Clássica (Dez. 2002)
Em 2007 lança o 3 º CD Upon a Star – Enchanted Songs em Duo com a Harpista Andreia Marques, numa viagem ao mundo em diversos estilos musicais, do Erudito ao Popular, de Vivaldi, Liszt, Schumann, Obradors, Sérgio Azevedo a canções como Summertime, La vie on rose, Amazing Grace, When you wish upon a star …




Solistas | Maria Ana Bobone | Fadista

Nasceu no Porto em Dezembro de 1974 tendo iniciado os seus estudos de piano com 5 anos.
Em 1986, com 12 anos de idade, entra para o Conservatório Nacional de Lisboa.
Começa a cantar Fado profissionalmente com 16 anos em concertos nacionais e internacionais. Entretanto licencia-se em Comunicação Social na Universidade Católica Portuguesa e após terminado o curso básico de piano, inicia o curso de canto com a reconhecida professora Cristina de Castro. Simultaneamente canta música religiosa como solista em vários coros, para os quais faz arranjos próprios.
Em 1993 grava o seu primeiro disco “Alma Nova”, para a Strauss, com Miguel Capucho e Rodrigo Costa Félix. Grava “Luz Destino” para a M.A. Recordings em 1996 com Ricardo Rocha e João Paulo, trabalho em que começa a destacar-se do fado tradicional e pelo qual obteve uma nomeação para melhor intérprete individual nos “Globos de Ouro”.
Em 1999 grava o CD “Senhora da Lapa”, também para a M.A., que inclui alguns temas da música tradicional e ainda alguns inéditos numa linguagem musical contemporânea.
Em 2006 grava "Nome de Mar", um CD inteiramente produzido por si, editado pela Farol Musica e com direcção musical de Ricardo Rocha, em que procura uma estética própria dentro do universo do fado, e se aventura por novos caminhos musicais.
Ao longo deste percurso, regista diversas actuações em espectáculos nacionais, bem como na Europa, América Latina e E.U.A. e Ásia, nomeadamente acompanhando a comitiva da Presidência da Republica e Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Actualmente trabalha num novo projecto em que procura a sua própria via musical.




Fonte: http://www.orchestra-cascais-oeiras.com/solistas2008.html
Sexta-feira, 19 de Dezembro às 21h00
Igreja da Cartuxa

FADO PORTUGUÊS
Obras de vários compositores

Solistas da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras
Maria Ana Bobone - fadista


Sábado, 20 de Dezembro às 21h00
Igreja dos Salesianos do Estoril


CONCERTO DE NATAL
G. B. Pergolesi
Sinfonia em Si bemol Maior

J. S. Bach
Suite em Si menor para flauta e cordas BWV1067

W. A. Mozart
Missa Brevis K 194

Maestro Nikolay Lalov
Coro dos Pequenos Cantores do Estoril
Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras
Sílvia Cancela - flauta


Domingo, 21 de Dezembro às 17h00
Palácio dos Aciprestes

FADO PORTUGUÊS
Obras de vários compositores
Solistas da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras
Maria Ana Bobone - fadista

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Temporada 2008 | Dezembro

Sábado, 13 de Dezembro

Às 17h00 no Conservatório de Música de Cascais

NATAL NA ESCOLA
Canções de Natal de vários compositores
Alunos do Conservatório de Música de Cascais


Às 18h00 no M. M. Portuguesa - Casa Verdades Faria

AS OUTRAS SCHUMANN E MENDELSSOHN
Clara Schumann
Trio com piano em Sol menor Op. 17

Fany Mendelssohn
Trio com piano em Ré Maior Op. 11

Solistas da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras
Grazia di Venere - piano


Domingo, 14 de Dezembro às 18h00
Auditório do Centro Social e Paroquial de Nova Oeiras


CONCERTO DE NATAL
G. B. Pergolesi
Sinfonia em Si bemol Maior

J. S. Bach
Suite em Si menor para flauta e cordas BWV1067

W. A. Mozart
Missa Brevis K 194

Maestro Nikolay Lalov
Coro dos Pequenos Cantores do Estoril
Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras
Sílvia Cancela - flauta

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Solistas | Rui Baeta | Barítono

Nasceu em Faro em 1975, e estudou Conservatório Nacional de Lisboa com Filomena Amaro, na Escola Superior de Música de Lisboa com Luís Madureira, na Mozarteum Internationale Sommerakademie, Áustria, com Richard Miller e na Academie Francis Poulenc, França, com François Le Roux.

Semi-Finalista do Festival e Concurso Internacional de Canto do Canal Mezzo (2008) e 1.º Prémio do Concurso RDP Jovens Músicos (1999) na classe de Música de Câmara - Nível Superior - com o pianista Paulo Pacheco.

Tem realizado recitais de Lied e Melodie também com os pianistas Jeff Cohen, João Vasco de Almeida e João Paulo Santos.

Com concertos e recitais realizados nos E.U.A., França, Suiça, Espanha, Malta e Cabo-Verde, mantém a sua actividade artística em Portugal em salas como o Grande Auditório Gulbenkian, Centro Cultural de Belém, Auditório Europarque, Teatro Rivoli, Teatro da Trindade, Teatro Municipal de S. Luiz, Teatro Nacional São João, Teatro Nacional D. Maria II e Teatro Nacional de S. Carlos.

Com orquestras como a Capela Real, Ensemble Bach, Solistas de Lisboa, de Cascais e Oeiras, Nacional do Porto, Sinfónica Portuguesa, Metropolitana de Lisboa, do Algarve e da Fundação Calouste Gulbenkian, destaca-se a sua interpretação de Carmina Burana, K. Orff; La Risurrezione di Cristo, de Perosi; Triumphslied, de Brahms; Requiem, de Fauré; Mass in G Minor, de V. Williams; Ein Deutsches Requiem, de Brahms; Weinachts Oratorium e Magnificat, de Bach; Szenen aus Goethes Faust, de Schumann; Te Deum, de Charpentier; Requiem de J.D. Bomtempo; Petite Messe Solennelle, Rossini; Adónis em Venus and Adonis, de J. Blow; Eneias em Dido e Eneias, Purcell; Pluton em La Descente d’Orfée Aux Enfers, Charpentier ; Maturin; D. Quichote em El Retablo de Maese Pedro, de M. de Falla; Pai em A Casinha de Chocolate, a versão portuguesa de Hänsel und Gretel, de Humperdinck; Sábio Máximo em A Floresta, de Eurico Carrapatoso; Mr. Plunket em The English Cat, de Hans-Werner Henze; Rei Ponto em Variedades de Proteu, de António Teixeira; Hortensius em La Fille du Regiment, Donizetti; Mr. Sharpless em Madama Butterfly, Puccini; e Schémil em Les Contes D’Hoffmann, Offenbach.

Apaixonado pela pedagogia da técnica vocal e pela representação, já leccionou no Conservatório Regional de Beja (99/00), no C. R. de Setúbal (01), na Universidade de Évora (05/06) e foi professor residente no Teatro Nacional D. Maria II (04/06). É frequentemente convidado para director vocal de espectáculos teatrais, musico-teatrais e televisivos. Como actor aceita ocasionalmente alguns convites para representar, como em Hamlet, de William Shakespeare, encenado por Ricardo Pais.




Fonte: http://www.ruibaeta.com

Audições dos alunos | Dezembro 2008

Durante o mês de Dezembro, e até ao final das aulas, decorrem como habitual, as audições dos alunos que estudam um instrumento.
O calendário é o seguinte:


Violino

Profª Gergana Bencheva
> 10 de Dezembro às 19h00


Piano

Profª Ana Marques
Profª Grazia di Venere
Prof. Lino
> 18 de Dezembro às 18h00
> 19 de Dezembro às 19h00

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Compositores | Richard Wagner













Wilhelm Richard Wagner (Leipzig, 22 de Maio de 1813 — Veneza, 13 de Fevereiro de 1883) foi um compositor, maestro, teórico musical, ensaista e poeta alemão, considerado um dos expoentes do romantismo e dos mais influentes compositores de música erudita já surgidos. Com a sua criatividade, inúmeras inovações foram trazidas para a música, tanto em termos de composição quanto em termos de orquestração. Wagner expandiu e enriqueceu as possibilidades da orquestra sinfônica, chegando a inventar um novo instrumento, a trompa wagneriana. Uma idéia que aprimorou, já que não foi o primeiro a utilizá-la, consistia em identificar um personagem, um objeto ou uma idéia através de um motivo musical, Leitmotiv (ou motivo condutor[1]). Quando se ouve o tema musical, imediatamente vem à mente o personagem, o objeto ou a idéia que o autor deseja indicar.
Como compositor de óperas, criou um novo estilo, grandioso, cuja influência sobre a música da época e posterior foi forte. Polêmico ao extremo, angariou ao longo da vida inúmeros desafetos.
Além de músico era também poeta e escreveu o libreto de todas as suas óperas, inclusive a tetralogia O Anel do Nibelungo, em que a mitologia germânica recebe uma expressão dramático-musical. Para a encenação deste e doutros espetáculos grandiosos que concebeu, construiu com a ajuda de amigos e do rei Luís II da Baviera o teatro de ópera de Bayreuth.
Wagner se preocupava com todos os detalhes, em todas as fases da criação de uma obra de arte ou drama musical: desde a elaboração literária do texto inicial, sua transformação num poema, composição musical, orquestração, até cada detalhe da encenação. Por exemplo: a primeira ópera de O Anel do Nibelungo, O Ouro do Reno começa com um mergulho naquele rio, onde encontramos as míticas filhas do Reno a nadar alegremente na correnteza. Para criar a impressão de que elas estão realmente nadando, era necessária a criação de máquinas especiais. Wagner supervisionou pessoalmente a criação dessas máquinas, assim como todos os outros detalhes da encenação. Uma outra inovação introduzida por Wagner: em Bayreuth não se vê a orquestra nem o regente, concentrando-se a atenção do público exclusivamente no que se passa sobre o palco. No entanto, alguns criticam esse procedimento, alegando que o som da orquestra sai abafado e perde um pouco da sua potência.
Nesse sentido, pode-se dizer que a obra wagneriana é um Gesamtkunstwerk ou "obra de arte total". Embora o ideal de integração total das artes, teatro, poesia e música, já fosse parte da empreitada operística desde o seu nascimento com Claudio Monteverdi em Florença, raras vezes um criador se envolveu em todas as fases do projeto com o mesmo nível de perseverança que Wagner.
A obra wagneriana suscitou o aparecimento de um novo tipo de cantor, o Heldentenor (literalmente: "tenor heróico"), um tenor de resistência física extraordinária e grande potência vocal, capaz de enfrentar papéis como Siegfried, Tristão e Tannhäuser, em que ele tem que cantar e representar quase ininterruptamente por duas horas e meia ou mais.
Wagner representou para a cultura alemã do século XIX o mesmo que Verdi representou para a cultura italiana: uma espécie de ícone cultural, e aglutinador da identidade nacional quando o país ainda estava em formação.

Infância e juventude
Wilhelm Richard Wagner nasceu a 22 de maio de 1813 em Leipzig, na Saxônia, uma cidade onde já haviam vivido diversos outros artistas de renome, como Bach, Schumann, Mozart, Mendelssohn e Goethe. Sua mãe se chamava Johanna Rosine Pätz. Quanto ao pai, há dúvidas se seria o escrivão de polícia Carl Friedrich Wilhelm Wagner, que vivia maritalmente com Johanna (há dúvidas se eles eram realmente casados; a certidão de casamento nunca foi encontrada) e que morreu apenas seis meses após o nascimento do compositor, 23 de novembro) durante uma epidemia de febre tifóide, ou o pintor e ator Ludwig Geyer, um amigo de Carl. O que se sabe é que, quando o menino tinha apenas dois meses de idade, sua mãe fez uma viagem perigosíssima, atravessando a Alemanha toda ocupada pelas tropas de Napoleão, provavelmente levando o menino consigo, para visitar Ludwig em Teplitz. Tal viagem só pode ser explicada por alguma necessidade urgente. Anos mais tarde Wagner teria confessado a Nietzsche e a sua esposa Cosima que seu verdadeiro pai era Ludwig Geyer, segundo ela atesta no seu diário. Nos últimos anos da vida do compositor, quando ele montou sua casa em Bayreuth, ele pendurou um retrato de Ludwig Geyer na parede, e ele foi o primeiro a notar a estranha semelhança entre aquele retrato e seu filho Siegfried. Ludwig e Johanna se casaram em 28 de agosto de 1814, e um mês depois se fixaram em Dresden.
O pequeno Richard foi criado num ambiente artístico, mas não musical. Seus dois "pais" eram atores amadores, e Geyer também era pintor e dramaturgo. Ele começou a receber aulas de piano em 1820, e escreveu uma peça, Der bethlehemitische Kindermord (O Massacre dos Inocentes) que foi encenada com sucesso em 1821. Duas irmãs mais velhas de Wagner eram atrizes, Rosalie e Luise, e uma outra tornou-se cantora de ópera, Klara, tendo estreado em 1824 em La Cenerentola de Rossini. Seu tio Adolf era o intelectual da família, e na biblioteca dele Wagner adquiriu bastante cultura. Ele passou um tempo com o tio enquanto seu padrasto sofria de tuberculose.
Tudo que dizia respeito ao teatro enfeitiçava o jovem Wagner, que se sentia transportado da enfadonha realidade e da rotina da vida diária para um mundo de ilusão, mistério e fantasia intoxicante. Para esse garoto cheio de imaginação parecia haver algo de mágico até nos vestiários e armários de apetrechos cênicos. Foi aí também que um lado fortemente erótico da natureza dele foi despertado. O conteúdo dos guarda-roupas de suas irmãs atrizes "exercia uma sedução sutil, um tal charme sobre minha imaginação, que meu coração batia loucamente quando eu tocava um daqueles vestidos", segundo Wagner contaria mais tarde em sua autobiografia, Mein Leben.
Antes de morrer em 30 de novembro de 1821, Geyer já havia notado o talento musical de Wagner, ao ouvi-lo tocar no piano da casa. No entanto, é de se notar quão fragmentários, dispersos e desorientados foram seus estudos musicais nesses primeiros anos. Em 1822, Wagner entra em uma escola religiosa de Dresden. Sob influência de Goethe e de Shakespeare, nessa época escreveu a tragédia Leubald und Adelaide, com o nome Richard Geyer. Em 1825, Wagner começou a tomar lições de piano com um certo Humann. No ano seguinte, a família Geyer o deixa estudando em Dresden e muda-se para Praga. Em 1827, ele e a família retornaram para Leipzig, onde havia uma excelente orquestra, a Gewandhaus. Foi ali que ele começou a se nomear Richard Wagner, e onde entrou em contato pela primeira vez com a música de Beethoven. A Sétima Sinfonia teve sobre ele um efeito indescritível. Em 1829 ele ouviu Wilhelmine Schröder-Devrient no Fidelio; ela havia sido admirada nesse papel pelo próprio Beethoven. A fascinação que Wagner sentiu por ela chegou às raias da obsessão. Segundo Wagner, ela era "uma artista como eu nunca vi igual sobre o palco". Ele mandou a ela uma carta fervente de admiração, dizendo que se o mundo ainda ouvisse falar dele, seria graças a ela. Entre 1829 e 1830, Wagner começa a compor mais seriamente, incluindo duas sonatas para piano e um conjunto de cordas, seguidas de um arranjo para piano da Quinta Sinfonia.
A partir de 1830, os estudos musicais de Wagner prosseguiram tomando lições de violino com Robert Sipp, músico da Gewandhaus, harmonia com Christian Gottlieb Müller, contraponto, fuga e os princípios da forma de sonata com Christian Theodor Weinlig, Cantor da Igreja de São Tomás de Leipzig, uma venerável instituição musical que já existia desde a época de Bach. Antes de completar dezenove anos, Wagner já tinha composto duas sonatas para piano (em ré menor e fá menor), um quarteto de cordas em ré maior, uma ária para soprano, duas aberturas. Em 1831, ele inicia os estudos na Universidade de Leipzig, encorajado por sua mãe. No ano seguinte, compôs uma sinfonia em dó maior, executada no mesmo ano pela orquestra da Gewandhaus, bem recebida. No mesmo ano Wagner começou a compor uma ópera, Die Hochzeit (As Bodas), baseada numa lenda medieval, mas como sua irmã Rosalie não gostou do libreto, Wagner destruiu o trabalho, restando apenas umas poucas páginas de música.
A primeira ópera completa de Wagner, Die Feen (As Fadas) foi completada em Janeiro de 1834, mas só estreou em 1888, depois da morte do compositor. O procedimento de trabalho foi o mesmo que Wagner adotou no restante de sua carreira: um libreto em prosa, que depois era versificado, e por fim a partitura musical. O libreto era do próprio Wagner, baseado em La donna serpente de Carlo Gozzi, que seu tio Adolf tinha traduzido para o alemão. Nessa época, Wagner entrou em contato com a música de Bellini, que ele passou a idolatrar como um verdadeiro deus da ópera. Wagner simplesmente adorava a Norma, I Capuleti e i Montecchi, e outros frutos da musa de Bellini. Também nessa época, o compositor torna-se amigo do novelista alemão Heinrich Laube. Num artigo de Junho que ele escreveu para o Neue Zeitschrift für Musik, um jornal de Leipzig pertencente a Laube, ele chega mesmo a atacar a ópera alemã, com suas árias laboriosas, insossas e sem paixão, enquanto que as italianas são melodiosas, bem adequadas à voz, e agradáveis de se ouvir. Esse jornal foi o primeiro espaço aberto para os ensaios escritos por Wagner.
Em 1834 ofereceram a Wagner o cargo de regente no teatro de Magdeburgo. Durante a entrevista com o diretor do teatro na qual conseguiu este emprego, Wagner foi informado de que sua primeira tarefa seria reger Don Giovanni no próximo domingo. Provavelmente não haveria tempo para nenhum ensaio. Assim, Wagner estreou como regente, função na qual sua atuação sempre foi muito louvada. A paixão arrebatadora, o vigor e a energia com que ele regia, por exemplo, a Sétima Sinfonia de Beethoven conquistaram o púbico e a crítica. Quanto à Nona, desde a estréia daquela obra em 1824, ela tinha caído no esquecimento, considerada em toda parte como inexecutável. Foi Wagner quem deu nova vida àquela obra prima do mestre de Bonn.
A composição de Das Liebesverbot (Amor Proibido), segunda ópera de Wagner, ocupou o mestre durante todo o ano de 1835, tendo o libreto sido escrito pelo próprio Wagner no ano anterior. Ele sempre escreveu os libretos de suas próprias óperas, o que o torna uma exceção na história do drama musical, mas ele era egocêntrico demais, e sua concepção artística abrangente demais para que ele pudesse confiar essa tarefa a outra pessoa, embora ele mesmo não se considerasse um grande poeta. Ainda em 1835, morre seu tio Adolf.
A primeira ópera de Wagner apresentada ao grande público, Das Liebesverbot estreou na condução do próprio autor a 29 de março de 1836 e foi um fracasso de proporções colossais, que abriu um rombo gigantesco nas já combalidas finanças do compositor. Wagner vivia endividado, e vários fatores contribuíam para isso. Ele tinha o vício do jogo. Ele tinha um apetite insaciável pelas coisas luxuosas, os móveis em estilo requintado, as roupas finas e os perfumes. Ele dava festas suntuosas para seus amigos e era um grande esbanjador. Wagner viveu sempre assim, pedindo dinheiro emprestado e fugindo dos seus credores, até que ele conheceu Luís II, rei da Baviera, que foi quem o salvou dos apuros financeiros.

A 24 de Novembro de 1836, Wagner casou-se com Christine Wilhelmine "Minna" Planer, uma actriz filha de um mecânico que ele conhecera em Magdeburgo dois anos antes. Esse casamento não foi feliz. O temperamento doméstico e burguês de Minna e seu baixo nível de cultura faziam dela uma companheira inadequada para o gênio extravagante e inquieto que era Richard Wagner.
Em fins de 1836 os débitos de Wagner tinham se acumulado a tal ponto que ele corria o risco de ir parar na prisão por dívidas. Seus credores estavam espalhados por toda a Alemanha, e a única solução que ele teve foi fugir do país. Através de um amigo, Louis Schendelmeisser, que conhecia o diretor do teatro de Riga, na Letônia, Karl von Holtei, Wagner conseguiu ser nomeado regente do teatro daquela cidade, onde vivia uma considerável colônia de alemães. E foi para lá que ele partiu, chegando nessa cidade portuária do mar Báltico no começo de setembro de 1837.

Riga 1837-1839
Em Riga, Wagner teve sérios conflitos com o diretor da ópera, Karl von Holtei. Uma das razões foi a escolha do repertório, mas houve também desavenças pessoais. Circulavam rumores na cidade a respeito do homossexualismo de Holtei, e para calar esses rumores, ele fingia se interessar por várias damas da companhia. Wagner tinha persuadido Minna a abandonar a carreira teatral, e ficou irritado com as tentativas persistentes de Holtei de atraí-la de volta para o teatro. Quando Wagner soube que Holtei estava visitando Minna em sua ausência, e que ele a havia apresentado a um bonito rapaz, um comerciante local, as relações entre o regente e o diretor se tornaram abertamente hostis. No final de 1838 a companhia deveria se apresentar em Mitau. Wagner pegou um resfriado muito forte, mas mesmo assim Holtei insistiu para que ele viajasse junto com os outros. O teatro no qual Wagner teve que trabalhar em Mitau era gelado, e o que era um simples resfriado se transformou numa febre tifóide, que pôs em risco a vida do compositor.
Quando a companhia regressou a Riga, Holtei foi forçado a abandonar a cidade, pois os rumores suscitados pela sua escandalosa reputação atingiram um ponto de saturação. Um novo diretor foi nomeado, mas a direção do teatro também decidiu despedir Wagner, por considerá-lo um sério risco, já que ele poderia ser preso por dívidas a qualquer momento. A situação tornou-se insustentável para Wagner, que praticamente teve que fugir de Riga para escapar dos seus credores. Ele não tinha sequer um passaporte, que lhe havia sido negado pelas autoridades a mando dos credores justamente para prevenir tal fuga.
Paris 1839-1842
Indo por mar até Londres, Wagner seguiu para Paris, onde foi tentar a sorte. Mas a cidade estava dominada naquela época por uma figura gigantesca: o compositor judeu-alemão Giacomo Meyerbeer. Além de ser grande compositor, Meyerbeer era também um astuto homem de negócios. Com seus espetáculos grandiosos e calculados exatamente para satisfazer o gosto do público, ele mantinha o monopólio da bilheteria da Ópera de Paris.

As tentativas de Wagner de encenar Das Liebesverbot em Paris fracassaram, e suas dívidas se acumularam, culminando na sua prisão por dívidas em outubro de 1840. Foi na prisão que Wagner terminou a partitura da sua terceira ópera, Rienzi, que ele começara em Riga. Assim que saiu da prisão, porém, Wagner já tinha na cabeça a idéia de uma outra ópera, Le Vaisseau Fantôme (O Navio Fantasma), e começou a compô-la imediatamente. Uma das primeiras inspirações foi a própria viagem até Paris, em que, em certo momento, o compositor embarcou num velho navio, enfrentando uma terrível tempestade. A situação fez Wagner lembrar da lenda do "Holandês Maldito". A partitura ficou pronta a 19 de novembro de 1841.

Nos últimos meses em Paris, Wagner conseguiu ganhar algum dinheiro fazendo arranjos de partituras de óperas de Donizetti para canto e piano. Essa estadia de Wagner na capital francesa não foi um desastre total. Ele foi apresentado a Liszt, a Berlioz, e a Meyerbeer. A reação do famoso mestre em relação ao jovem compositor não foi hostil. Meyerbeer fez tudo que pode para ajudar Wagner, escrevendo cartas de recomendação a vários teatros da Alemanha. Em março de 1841, Meyerbeer escreveu o seguinte ao diretor da ópera de Dresden, numa carta complementar à partitura completa de Rienzi que Wagner mandara ao mesmo diretor:

Herr Richard Wagner de Leipzig é um jovem compositor que tem não somente uma sólida educação musical mas também muita imaginação; além disso ele tem uma ampla cultura literária e sua situação merece a simpatia de seu país natal em todos esses aspectos. Seu grande desejo é ter sua ópera "Rienzi" representada em Dresden. Eu achei algumas partes que ele tocou para mim dessa obra cheias de imaginação e considerável efeito dramático.

Wagner escreveu-lhe em agradecimento:

Que Deus lhe dê alegria em todos os dias de sua linda vida e preserve seus olhos de todo pesar é a prece sincera de seu mui devotado discípulo e servidor, Richard Wagner.

Em Abril de 1942, ele e sua esposa deixaram Paris, levando consigo toda sua música e os ainda inacabados manuscritos de Le Vaisseau Fantôme.
A vida em Dresden
Graças à influência de Meyerbeer, Wagner conseguiu estrear Rienzi no Teatro da Corte de Dresden a 20 de Outubro de 1842 com grande sucesso, e logo depois foi nomeado Kapellmeister ou diretor artístico e regente do mesmo teatro. Ou seja, uma espécie de "rei" da vida musical na cidade. O cargo era vitalício e o salário muito bom. Em 2 de Janeiro do ano seguinte é estreado Der fliegende Hollände (o agora acabado Le Vaisseau Fantôme). Também em Dresden estreou mais uma ópera de Wagner, Tannhäuser em 19 de Outubro de 1845, com pouco sucesso. A obra havia sido completamente escrita na cidade, e terminada em 13 de Abril.
Numa ida para Berlin encontrou Mendelssohn. Nessa época também visitou Albert, um de seus irmãos, cuja filha Johanna desempenhou o papel de Elisabeth em Tannhauser.
Nessa época, o compositor se interessa cada vez mais pelo drama grego, em particular pela trilogia Oresteia de Ésquilo. Para a criação de Lohengrin o autor leu os clássicos gregos. Ele começou a associar a qualidade dos dramas com os mitos dos povos, e considerou que poderia realizar o mesmo processo em relação às lendas germânicas assim como os gregos. Wagner descobriu a obra de Jacob Grimm, e passou a estudar épicos alemães e a mitologia nórdica. Um de seus escritores favoritos era o poeta Wolfram von Eschenbach, cuja obra Parzival serviu de inspiração para duas de suas obras, Lohengrin e Parsifal. A primeira teve seu libreto terminado em Novembro de 1845, e a obra foi completada em 28 de Abril de 1848. Nessa obra, Wagner desenvolve o conceito da "melodia contínua".

Actividades revolucionárias
Se quisesse, em Dresden Wagner poderia levar uma vida tranquila e livre de preocupações financeiras, totalmente dedicado à sua arte. E seria isso que teria acontecido se ele não tivesse se metido em política. Tudo começou quando Wagner tentou introduzir uma série de reformas na orquestra do teatro, cujo principal objetivo era melhorar o desempenho dos músicos a um nível que lhe satisfizesse. Os salários eram baixos, e os músicos forçados a trabalhar demais, com prejuízo à saúde e queda no nível de qualidade. Uma das primeiras coisas que Wagner notou foi a discrepância enorme entre os salários irrisórios dos músicos da orquestra e as somas exorbitantes angariadas por certos cantores solistas com muito menos talento musical; essa anomalia ele estava disposto a corrigir. Músicos velhos deveriam ser aposentados, e instrumentos velhos substituídos por outros novos. O sistema de promoção deveria ser baseado no talento musical, não no tempo de serviço. Ao insistir nessas reformas, Wagner passou a ser muito mal visto pelos seus superiores. Nenhuma instituição esclerosada vê com bons olhos um reformador.
Em Fevereiro de 1848, no mesmo mês em que Marx e Engels publicaram o Manifesto do Partido Comunista, estourou na França a revolução que depôs Luís Filipe, o rei burguês. Aos gritos de liberté, égalité, fraternité, sublevações estouraram por toda a Europa contra as monarquias absolutas. Na Itália e na Alemanha alguns dos revoltosos tinham por objetivo a unificação dos respectivos países. Wagner também ficou entusiasmado pelos ideais revolucionários. De repente, a música passou para segundo plano nas suas preocupações imediatas e a política para o primeiro. No mesmo ano, o agitador anarquista russo Mikhail Bakunin se refugiou em Dresden, e ele e Wagner se uniram em estreita amizade. Somente numa sociedade alemã totalmente transformada Wagner podia ver a possibilidade de realização dos seus ideais. Os ideais de Wagner nessa época eram fortemente esquerdistas, e ele odiava a pomposidade e a perversidade da corte de Dresden. Ele sonhava com a criação de uma nova sociedade alemã, na qual o Volk encontraria expressão numa nova cultura alemã. Movido por esses ideais, Wagner entrou para o Vaterlandsverein, um partido político fundado em março de 1848 para lutar pelo estabelecimento da democracia. Lá, Wagner, Bakunin e outros revolucionários discutiam revolução, republicanismo, socialismo, comunismo e anarquismo.
Sua mãe faleceu a 9 de Janeiro de 1848. Em Junho, Wagner juntou-se à Guarda Comunal Revolucionária e publicou dois poemas revolucionários e um artigo. O primeiro desses poemas, Gruss aus Sachsen an die Wiener (Saudações Saxãs aos Vienenses) parabenizava os austríacos por terem forçado seu imperador a fugir, e incitava os saxões a seguirem o exemplo. O segundo, Die alte Kampf ist's gegen Osten (A Velha Luta é contra o Leste) conclamava a uma cruzada contra a Rússia reacionária. No artigo intitulado "Que relação existe entre a empreitada republicana e a monarquia?", Wagner descreve a nova utopia saxônica que surgiria após a queda da monarquia, com sufrágio universal, um exército do povo, congresso unicameral e uma nova economia burguesa.
A 8 de Maio de 1849 Wagner publicou um artigo anônimo no Volksblätter intitulado "A Revolução". Era um texto altamente inflamatório, glorificando a deusa Revolução. Apesar de anônimo, ninguém parecia ter dúvidas a respeito da autoria.
A 1 de Abril Wagner regeu uma apresentação pública da Nona Sinfonia de Beethoven. No final da apresentação Bakunin se levantou do meio da platéia, apertou a mão de Wagner e disse bem alto para que todos ouvissem que, se toda música que já foi escrita se fosse se perder na conflagração mundial que estava para acontecer, esta sinfonia pelo menos teria que ser salva.
A 3 de Maio de 1849 o rei da Saxônia recusou as exigências dos democratas e ordenou que a Guarda Comunal se dissolvesse. Numa reunião extremamente exaltada que se seguiu na mesma tarde, os membros do Vaterladsverein decidiram oferecer resistência armada às autoridades, que contou com a participação de Wagner. Ele correu à casa do tenor Tichatschek e persuadiu a aturdida esposa do tenor a entregar as armas que seu marido guardava em casa; a seguir foi inspecionar as barricadas. Tropas prussianas estavam a caminho da cidade, a fim de esmagar a revolução. Wagner tomou posse das impressoras do Volksblätter e mandou imprimir panfletos revolucionários, ao mesmo tempo que mandava seu amigo Semper inspecionar as barricadas e mandava comprar granadas. Wagner passou a sexta-feira 4 de maio junto com Bakunin. No dia seguinte as primeiras tropas prussianas entraram em Dresden, e havia lutas pela cidade toda. Wagner subiu à torre da Kreuzkirche, que era utilizada pelos rebeldes como um excelente ponto de observação. De lá, ele lançou mensagens atadas a pedras a Heubner e Bakunin sobre os movimentos das tropas inimigas. Wagner passou a noite na torre, sob bombardeio contínuo das tropas prussianas. No dia seguinte ele escapou, foi até sua casa e fugiu com Minna para a cidade de Chemnitz (antes Karl-Marx-Stadt), para deixá-la em lugar seguro; mas para horror dela, ele resolveu voltar para o centro da revolta. Em Dresden havia lutas casa a casa, e na prefeitura ocupada pelo rebeldes, os homens estavam desanimados e exaustos após seis noites sem dormir. Wagner foi despachado para Freiberg para chamar reforços. Mas antes que Wagner pudesse retornar a Dresden com reforços de tropas a revolução já tinha sido esmagada.
Wagner juntou-se a Heubner e Bakunin a caminho de Freiberg e sugeriu que eles montassem um governo provisório em Chemnitz. Naquela noite, Wagner e Bakunin dormiram no mesmo sofá. Quando Wagner acordou, Bakunin e Heubner tinham fugido. Wagner correu para onde estava Minna, e os dois rapidamente abandonaram o país.

Exílio 1849-1860
Os líderes da revolta, Bakunin, Otto Leonhardt Heubner e August Röckel foram condenados à morte (mais tarde as sentenças foram comutadas em prisão perpétua), e se Wagner ousasse pôr os pés em qualquer território alemão teria o mesmo destino, já que os monarcas absolutistas estavam todos unidos contra ele. Wagner se viu então obrigado a passar onze anos fora da Alemanha. Foi um exílio amargo para o compositor. Ele não gostava de Londres, de Paris nem da Suíça, falava mal o francês e achava duro suportar a vida fora da Alemanha.
A rota de fuga passava por Weimar, onde Liszt acolheu Wagner e Minna por alguns dias. Liszt deu algum dinheiro a Wagner e aconselhou que ele fosse para Paris, enquanto Minna ficaria com Liszt. Wagner despediu-se então com grande emoção da esposa e do amigo e seguiu às pressas para a capital francesa, seguindo uma rota sugerida por Liszt que passava pela Suíça e era menos provável que fosse vigiada pela polícia.
Um dia em Paris Wagner entrou na loja Schlesinger de partituras e instrumentos musicais e viu que Meyerbeer estava lá. Ao ouvir a voz de Wagner, Meyerbeer se escondeu atrás de uma cortina, mas Wagner o puxou de lá; mas Meyerbeer, bastante embaraçado, não queria conversar nem ser visto na companhia do notório revolucionário fugitivo, o que é bastante compreensível; afinal de contas, Meyerbeer era na época Oficial da Corte Real da Prússia.
Após essa curta estadia em Paris, Wagner seguiu para a Suíça, onde passaria a maior parte dos seus anos de exílio, principalmente em Zurique. Sua esposa juntou-se a ele meses mais tarde. Apesar de exilado, as óperas de Wagner continuavam sendo representadas na Alemanha e continuavam lhe rendendo dinheiro, o que não impedia que o compositor continuasse cheio de dívidas, devido aos seus hábitos perdulários.
Minna estava cada vez mais rabugenta. Apenas seis meses depois de casados eles já haviam se separado e pensado em se divorciar. Depois se reuniram de novo, mas as brigas, separações e reuniões continuaram. Ela não aprovava de maneira nenhuma o comportamento do marido, e nunca o perdoou pelo seu envolvimento na revolução de Dresden, que destruira para sempre os seus sonhos de uma vida segura como a esposa de um Kapellmeister. Em outubro de 1848, já iniciara o trabalho na gigantesca saga O Anel do Nibelungo, um trabalho hercúleo cuja criação poética e composição musical consumiriam ao todo 26 anos da vida do compositor.
Em Outubro de 1850 Otto Wesendonck, um rico empresário, parceiro numa firma de seda de Nova Iorque, chegou a Zurique com sua jovem esposa Mathilde. Wagner ficou conhecendo o casal, e se encantou com a jovem e bela Mathilde, sua sensibilidade poética e gosto pela música. Otto também era um homem de grande cultura e refinamento, e passou a ajudar Wagner de muitas maneiras, inclusive financeiramente. Iniciou-se uma abundante troca de correspondência entre Wagner e os Wesendoncks. No mesmo ano são publicados os artigos Die Kunst und die Revolution em fevereiro e Das Judentum in der Musik em Setembro. Já no início do ano seguinte é publicado o artigo Oper und Drama, em que o compositor define a ópera como uma globalidade, e não somente música e teatro.
Em 1857 os Wesendoncks construíram uma mansão próxima ao lago de Zurique, num lugar chamado "Montanha Verde". Em seus magníficos jardins foi construída uma segunda casa, que Mathilde batizou de Asyl (refúgio), que seria segundo ela "um verdadeiro refúgio de paz e amizade"; Otto propôs que Wagner fosse morar lá junto com Minna. Wagner aceitou o convite, agradecido; há muito tempo que ele estava à procura de um lugar isolado e calmo onde ele pudesse compor em paz. Minna cuidaria da casa, e a perspectiva de viver a poucos metros de distância da sua Musa encantava Wagner. Quanto à relação que existia entre Wagner e Mathilde, Otto sabia de tudo e não se importava. Só Minna não sabia de nada.

Entre 1857 e 1858, Wagner interrompeu a composição de Siegfried e começou a compor Tristan und Isolde. Na imagem, o casal na concepção de Herbert Draper (1863–1920).
Entre Novembro de 1857 e 1 de Maio de 1858 Wagner compôs cinco canções para voz e piano sobre poemas de autoria de Mathilde, chamadas de Wesendonck Lieder, que foram orquestradas mais tarde. A paixão entre eles é clara no texto dessas canções. Nessa mesma época, Wagner interrompeu a composição de Siegfried (Das Rheingold e Die Walküre já haviam sido compostas) e começou a compor Tristan und Isolde. Wagner não voltaria a trabalhar no Anel por sete anos.
Todas as noites no Asyl havia serões filosófico-literário-musicais nos quais se discutia interminavelmente Schopenhauer, budismo, abstrações intelectuais e as bases filosóficas da arte. Minna também era convidada, mas era praticamente ignorada. Minna se sentia humilhada e insultada por essa mulher brilhante e atraente que toda manhã vinha conversar com seu marido, dirigindo a ela quando muito uma ou outra frase condescendente. Minna estava ciente de que sua própria beleza estava se esmaecendo, e tomava ópio e outras drogas para aliviar os sintomas de um mal cardíaco que a acometia. Wagner via sua relação com Mathilde como uma espécie de comunhão espiritual entre duas almas gêmeas que se entendiam perfeitamente e compartilhavam os mesmos ideais de arte e cultura.
Uma certa manhã de Abril de 1858, Minna viu um empregado sair de sua casa carregando uns rolos de papel. Ela o deteve e examinou o que ele estava carregando. Havia papel de música escrita por Wagner, o esboço do prelúdio de Tristão e Isolda e, junto com este, uma carta de amor de Wagner a Mathilde. Aquilo que Minna já suspeitava agora estava confirmado. Ela entrou intempestivamente no quarto onde estava Wagner e esfregou a carta na cara dele. Ele pediu a ela que se acalmasse e não fizesse escândalo. A seguir, Minna foi ter com Mathilde e, proferindo impropérios, esfregou a carta na cara dela também. O escândalo foi tão grande que Wagner e Minna foram obrigados a deixar o Asyl. Enquanto ela voltou para a Saxônia, ele partiu para Veneza. Wagner e Minna se separaram, dessa vez em definitivo, e o divórcio veio logo depois. Minna nunca foi capaz de entender o seu marido; ela é o modelo de Fricka em Die Walküre.
De Veneza, Wagner foi expulso em março de 1859, voltando para Zurique, e estabelecendo-se em Lucerna. Em Agosto ele terminou a partitura de Tristão e Isolda. No fim de ano, ele foi a Paris, passando vários meses naquela cidade, convidado pelo próprio imperador Napoleão III a montar Tannhäuser. Assim Wagner conseguiu pala primeira vez realizar seu sonho de montar uma ópera sua em Paris, mas o espetáculo terminou em tumulto, com vaias, apupos e manifestações de desapreço ao compositor alemão. Wagner atribuiu grande parte dessas agitações aos discípulos de Meyerbeer que, segundo ele, vieram estragar o seu espetáculo. O famoso ensaio de Wagner, Das Judentum in der Musik (O Judaísmo na Música) é em parte um ataque contra Meyerbeer.
Dom Pedro II
Ainda em Março de 1857 o embaixador brasileiro em Leipzig apareceu inesperadamente em Zurique trazendo uma mensagem para Wagner. Sua Majestade Imperial Dom Pedro II, Imperador do Brasil, estava muito interessado no trabalho de Wagner, e queria que ele fosse para o Rio de Janeiro. Wagner ficou tão surpreso, ele não podia acreditar. Ele mandou partituras ricamente encadernadas e autografadas de O Navio Fantasma, Tannhäuser e Lohengrin para o Brasil, e ficou aguardando uma resposta. Passaram-se muitos meses, e a resposta não veio. Wagner pensou que tinha sido alvo de uma brincadeira. Só muitos anos mais tarde, quando o próprio Pedro II compareceu para cumprimentá-lo pessoalmente no primeiro Festival de Bayreuth, é que Wagner ficou sabendo que o interesse do imperador na sua obra era verdadeiro. Ainda hoje pode-se ver marcado no livro de visitas do hotel em Bayreuth marcado modestamente: Nome: Pedro II, Ocupação: imperador. É de se especular por que Wagner ficou esperando uma resposta e não obteve nenhuma; mas o mais provável é que, por maior que fosse o interesse de Pedro II em trazer Wagner para o Brasil, seus ministros o tenham dissuadido. Afinal de contas, não devemos nos esquecer de que Wagner na época era considerado um revolucionário criminoso, procurado pela polícia na própria Alemanha.
Luís II e Cosima
Em seus onze anos de exílio Wagner tentou várias vezes obter anistia junto ao rei João da Saxônia, mas em vão. Em 1860, finalmente, a anistia foi concedida, e Wagner pode entrar de novo em território alemão. No final de 1861 ele retoma a obra Die Meistersinger von Nürnberg, terminando o libreto no final de janeiro do ano seguinte. Entretanto, Wagner estava numa situação ruim, marcada por viagens e dívidas. Chegou a se esconder em Stuttgart entre março e abril de 1864.
Entretanto, em 10 de Março, Luís II torna-se rei da Baviera com apenas dezenove anos de idade, com a morte de seu pai, o rei Maximiliano II. O novo rei era alto, forte e bonito; tinha gosto requintado, era grande apreciador das artes, e fervoroso admirador de Wagner e sua música. Uma das primeiras coisas que o rei fez assim que subiu ao trono foi mandar chamar Richard Wagner à sua corte, que foi recebido em 4 de Maio.
Luís II era homossexual, mas a atração que ele sentia por Wagner era espiritual, não física. Era o gênio musical que ele admirava. Entretanto, livros, artigos e até mesmo filmes (como Ludwig de Visconti) têm aparecido aventando uma possível relação homossexual entre Wagner e Luís.
O rei assumiu todas as dívidas de Wagner e concedeu a ele uma pensão de quatro mil florins por ano, suficiente para viver luxuosamente. Wagner passou a residir então numa mansão chamada Villa Pellet, próxima à residência de verão do rei, Castelo de Berg junto ao lago Starnberger (onde posteriormente Luís II morreu afogado). Todos os dias a carruagem real vinha buscar o compositor para levá-lo ao palácio, onde ele passava horas de puro arroubamento discutindo arte com o rei.
No verão de 1864 chegaram à Villa Pellet Hans von Bülow, o regente, pianista e grande amigo e admirador de Wagner, que havia regido várias de suas óperas, e sua esposa Cosima, a filha de Franz Liszt, que Wagner conhecera quando ela era ainda criança. O casal ficou hospedado na residência de Wagner e, pouquíssimo tempo mais tarde, Cosima estava grávida, mas não de Hans. O regente, bastante doente naquela época, pode não ter percebido muito bem o que estava acontecendo, mas quando ele se deu por si já era tarde demais. Sua esposa Cosima e Wagner estavam apaixonados. O pai de Cosima achou essa relação abominável. Ele se deprimiu mais ainda quando Cosima foi o contou que queria se converter ao protestantismo para se casar com Wagner. Cosima conseguiu obter o divórcio de Bülow em 1870. Wagner recebera a notícia da morte de Minna em Dresden quatro anos antes. Wagner e Cosima se casaram a 25 de Agosto de 1870.

Cosima revelou-se uma companheira muito mais compreensiva do que Minna. Ela era uma mulher refinadíssima, e não era para menos; afinal de contas, ela era filha de Franz Liszt. Mesmo as relações de Wagner com outras mulheres não a apoquentavam; ela conhecia a alma do marido, sabia do que ele precisava. Havia entre eles uma fidelidade profunda, nascida de uma verdadeira adoração de Cosima pelo deus Richard Wagner. Os dois chegaram até mesmo a fazer um pacto: quando Wagner morresse, ela morreria junto com ele, "numa espécie de eutanásia", o que lembra o final de Tristão e Isolda. Lembra também o duplo suicídio de Hitler e Eva Braun no porão da chancelaria de Berlim em abril de 1945, ou Brünnhilde se jogando sobre a pira funerária de Siegfried.
Em 1865, as vultosas somas que o rei da Baviera estava gastando com Wagner, sem falar no controle que o compositor exercia sobre a política do reino através do seu amigo, causaram uma crise constitucional que pôs a perigo a coroa de Luís II. O rei não teve nenhuma solução senão banir Wagner da Baviera em 6 de dezembro. Com Cosima, Wagner foi então se estabelecer em Tribschen na Suíça, mas a generosa pensão de Luís II continuou a ser paga.
Wagner e Cosima estavam jantando tranqüilamente na sua residência de Tribschen quando chegou uma carta de Luís, a 15 de Maio de 1866. O rei estava disposto a renunciar ao trono e abandonar tudo para ir viver junto a Wagner. A situação era delicada. Com muito tato, Wagner e Cosima escreveram a ele dizendo que, se o rei cometesse essa loucura, Wagner perderia sua pensão, jogando a todos numa situação calamitosa. Wagner aconselhou a ele que fosse paciente, se dedicasse aos seus deveres para com a nação, e o deixasse criar suas obras em paz. A situação política era alarmante. Como parte dos planos de Bismarck para a unificação alemã, a Prússia estava prestes a declarar guerra à Áustria. A Baviera teria que escolher um dos lados nessa guerra. Escolheu o lado da Áustria, que foi derrotada. Mas Bismarck permitiu que Luís II conservasse a sua coroa.
Em 1868 Wagner travou amizade com Nietzche, então professor de filologia na Basiléia, que passou a freqüentar assiduamente a sua casa de Tribschen. Os dois se encontraram no fim do ano em Leipzig. A relação com Nietzsche foi muito especial na vida de Wagner, já que Nietzsche, fiel adorador, via no compositor a personificação do Super-Homem. No entanto, essa relação especial acabou em mútua desilusão, na medida em que o equilíbrio mental de Nietzsche deteriorava. Um dos pontos de desinteresse de Nietzsche pela obra do compositor eram os frequentes pontos em comum com a temática e as preocupações cristãs.
O ciclo do Anel do Nibelungo ainda não estava completo, mas a estréia de Das Rheingold se deu em Munique a 22 de Setembro de 1869 sob o patrocínio de Luís II, contra a vontade de Wagner, que planejava guardar a estréia para o novo teatro que ele estava planejando construir em Bayreuth. No acordo que Wagner havia assinado com o rei da Baviera, contudo, Luís era proprietário de todas as partituras, com direito a encená-las onde bem entendesse.
A estréia de A Valquíria se deu no mesmo Teatro da Corte de Munique, a 26 de Junho de 1870, também contra a vontade de Wagner, que não esteve presente nessa estréia nem na anterior. No auditório estavam presentes Liszt, Brahms, Saint-Saëns e o violinista Joseph Joachim. O país estava num clima de guerra, e o público adorou as donzelas guerreiras de Wagner. O público reagiu com aplausos e ovações ao grito de batalha de Brünnhilde, e às palavras de Wotan denn wo kühn Kräfte sich regen, da rat' ich offen zum Krieg ("Quando poderes audaciosos se enfrentam, eu geralmente aconselho a guerra"), o público todo se levantou e aplaudiu, transformando o espetáculo num verdadeiro espetáculo de chauvinismo germânico, para embaraço de alguns franceses presentes, entre eles Saint-Saëns.
A guerra entre a França e a Prússia estourou a 19 de julho; desta vez todos os estados alemães estavam unidos com a Prússia, inclusive a Baviera. A guerra terminou com a proclamação do Império Alemão (Segundo Reich). A Luís II foi permitido preservar sua coroa, assim como a outros príncipes alemães, mas agora submetidos ao Rei da Prússia (Kaiser ou Imperador Alemão).
O primeiro Festival de Bayreuth
Há muito tempo Wagner sonhava com a construção de um teatro que fosse uma meca, um centro de peregrinação para os amantes de sua arte de todo o mundo. Luís II, que tinha paixão pela arquitetura e adorava construir majestosos castelos e suntuosos palácios, apoiava Wagner nesse projeto. Mas as finanças do reino estavam combalidas pela guerra, e havia forte oposição política a mais esse projeto nababesco. Houve, portanto, dificuldades de financiamento. Wagner recebeu propostas de Londres, Chicago, e até mesmo de Pedro II, imperador do Brasil, que lhe ofereciam ajuda e um local para a construção do teatro, mas no final ele acabou escolhendo Bayreuth. Vários motivos o levaram a fazer essa escolha. A cidade ficava na Baviera, mas próxima à fronteira norte, ocupando uma posição geográfica próxima ao centro do território alemão. Não havia lá nenhuma temporada teatral regular, nenhum spa ou centro turístico por perto; ou seja, nada para desviar a atenção ou concorrer com o seu festival. E as autoridades certamente apoiariam um projeto que traria novo comércio e daria nova vida ao local. O único defeito da cidade — mas isso Wagner só descobriria mais tarde — era ser demasiado chuvosa.
Wagner bolou um sistema de financiamento em que ricos patrocinadores do mundo inteiro comprariam Patronatscheine, cédulas de patrocínio que dariam direito a poltronas durante o festival. Houve poucas vendas, e o esquema falhou. O projeto se arrastou por vários anos até que Luís II, juntamente com a Duquesa Helena da Rússia, o Sultão da Turquia e o Quediva do Egito vieram em socorro de Wagner.
A 21 de Novembro de 1874 Wagner colocou a dupla barra final na partitura de Götterdämmerung. A composição do Anel estava finalmente terminada.
A 13 de Agosto de 1876 teve início o primeiro Festival de Bayreuth. Uma verdadeira galáxia de celebridades do mundo inteiro se deslocou para Bayreuth para assistir ao evento. Entre eles, podemos citar: Guilherme I, Imperador da Alemanha; Pedro II, Imperador do Brasil; Luís II, Rei da Baviera; Friedrich Nietzsche e sua irmã Elizabeth; entre os compositores: Franz Liszt, Camille Saint-Saëns, Anton Bruckner, Pyotr Ilyich Tchaikovsky.

Morte em Veneza
A composição de Parsifal, a última ópera de Wagner, foi iniciada em Bayreuth em Agosto de 1877, e terminada a 13 de Janeiro de 1882. Estreou a 30 de Julho do mesmo ano. Nessa época ele já desenvolve um problema cardíaco, sofrendo seu primeiro ataque cardíaco.
Nos últimos anos de vida, Wagner adquiriu o hábito de ir passar todos os invernos na Itália; ele sempre detestou o frio. Em Setembro de 1882 ele deixou Bayreuth pela última vez e foi para Veneza com a mulher e os filhos, e lá se instalou no Palazzo Vendramin, então de propriedade do Duque della Grazia. A família Wagner ocupou uma suíte de dezoito aposentos, que ele decorou magnificamente e mandou borrifar de perfumes delicados. Iam visitá-lo Liszt, o regente judeu Hermann Levi (o primeiro a reger Parsifal), o pianista judeu Joseph Rubinstein (assistente musical de Wagner desde 1872), o pintor judeu Paul Jukovsky — durante toda a sua vida, Wagner sempre teve muitos amigos judeus — o compositor Engelbert Humperdinck. Wagner e Cosima liam seus autores prediletos: Shakespeare, Goethe, Schiller e Calderón de la Barca. Às vezes Wagner tocava ao piano alguma fuga de Bach.
Na última visita que fez a Wagner, a 13 de Janeiro de 1883, Liszt tocou uma peça que compôs de improviso, La Gondole Lugubre. A peça figura a procissão de uma gôndola fúnebre pelos canais de Veneza. Parece que Liszt pressentia que esta seria sua última visita. Exatamente um mês mais tarde, em 13 de fevereiro, Wagner morreu subitamente de um ataque cardíaco, nos braços de Cosima e cercado pelos filhos. Seu funeral foi realizado em Bayreuth.
Após a morte de Wagner, a direção do Festival de Bayreuth passou para sua viúva, Cosima. Ela renunciou em 1906, e seu filho Siegfried assumiu a direção. Cosima e Siegfried morreram ambos em 1930, e a direcção do festival passou então para a viúva de Siegfried, Winifred Wagner. Winifred era nazista e muito amiga de Adolf Hitler, por isso ao final da guerra ela foi condenada à prisão com sursis e afastada da direção do teatro; assumiram então seus dois filhos, Wieland e Wolfgang. Entretanto, Wieland morreu em 1966, e Wolfgang continuou no cargo até 2008, quando deixou o cargo.




Ver também em:

Músicos residentes da OCCO | Zhanna Antonjuk | Viola

Natural de Kiev (Ucrânia), começou os estudos musicais aos seis anos de idade.

Em criança fez parte do elenco do Teatro Nacional de Ópera e Ballet da Ucrânia.

Concluiu a formação em cravo da Escola de Música do Conservatório Nacional.

Aos quinze anos entrou para o Colégio Superior Musical de Kiev. Terminou o curso com distinção e no mesmo ano entrou para o Conservatório Superior Estatal de Kiev.

Entre 1995 e 1997 fez parte da Orquestra Nacional Sinfónica da Ucrânia.

Desde 1997, reside em Portugal. Durante três anos leccionou no Conservatório Regional de Ponta Delgada.

A partir de 2001, é membro efectivo da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras.




Fonte: http://www.orchestra-cascais-oeiras.com/violas.html

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Temporado 2008 | Dezembro

Sábado, 6 de Dezembro às 18h00
Auditório Municipal Ruy de Carvalho

IDÍLIO MUSICAL
R. Wagner "Idílio de Sigfried"
G. Mahler "Lieder eines fahrenden Gesellen"
I. Stravinski "Dumbertin Oaks"

Maestro Nikolay Lalov
Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras
Rui Baeta - barítono



Entrada gratuita

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Concerto No. 4 in F minor, Op. 8, RV 297, "L' inverno"

(Allegro non molto)



(Largo)



(Allegro)



Antonio Vivaldi

Herbert von Karajan
Anne-Sophie Mutter

Temporada 2008 | Novembro

Sábado, 22 de Novembro às 18h00
Sociedade de Instrução Musical de Porto Salvo

CONCERTO PARA CRIANÇAS
Canções de vários compositores para crianças

Pequenos Cantores do Estoril
Solistas da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras



Domingo, 23 de Novembro às 17h00
Conservatório de Música de Cascais


HISTÓRIAS DA MÚSICA
Antonio Vivaldi - A história e a música deste grande padre italiano

Direcção Artística e Comentários: Maestro Nikolay Lalov
Solistas da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras



Entrada gratuita

La Sonnambula de Bellini

Para os amantes do bel canto mas também para todos os que gostam de boa música, as vozes de primeiríssima água de Cecilia Bartoli e Juan Diego Florez, pela primeira vez juntos, numa excelente interpretação da ópera La Sonnambula de Bellini.


Apresentada como a mais completa e autêntica gravação da obra do grande operista siciliano Bellini, esta edição da DECCA traz-nos a singularidade de uma Amina em mezzo-soprano e um trabalho notável da Orchestra La Scintilla, sob a direcção de Alessandro De Marchi, tocando em instrumentos de época.





Helena Rodrigues



Ver também em:
http://www.deccaclassics.com/features/sonnambula/
http://www.musicalcriticism.com/recordings/cd-sonnambula-2-1108.shtml
http://www.ceciliabartolionline.com/
http://www.juandiegoflorez.com/

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Um instrumento mágico













O CMC abriu desta vez as suas portas à arte do violino, mas mais surpreendentemente à da sua construção. Para tal estiveram presentes nada mais nada menos que os construtores da já mundialmente famosa marca portuguesa de violinos CAPELA.

António (pai) e Joaquim Capela (filho), são já a 2ª e 3ª geração de luthier’s, iniciada por Domingos Capela, já nos idos de 24 do século passado.

António Capela foi a geração que se internacionalizou, ao partir para estudar em Paris, Mirecourt e também em Itália, na cidade de Cremona, onde aperfeiçou a técnica de construção de violinos.

Em 1963 inicia a participação em concursos internacionais, de Liége, Bélgica, onde ganha o primeiro prémio na categoria de sonoridade e o quarto na categoria “luthier”. No ano de 1967, concorrendo com dois violinos, participou num concurso em Poznan, na Polónia, obtendo um 2.º e um 4.º prémio. Até que em 1972, naquele mesmo concurso, se apresenta com 4 violinos (António e Joaquim CAPELA), e arrebata simplesmente os primeiros quatro prémios e as maiores pontuações de sonoridade e trabalho.

Outros concursos na Alemanha, Bulgária, e Japão, trouxeram simplesmente os violinos CAPELA (e também as violas e os violoncelos) para o palco das grandes orquestras mundiais e as mãos dos maiores virtuosi. Tal consagração, trazida até sobretudo por reputados violinistas, violetistas e violoncelistas que usam a marca CAPELA, e recorrem à famosa oficina de Espinho para repararem mesmo os seus Satradivarius e Guarneri, fez naturalmente com que António Capela passasse ele próprio a ser convidado para júri de concursos de luthiers, apresentando-se hoje igualmente como fundador e vice-presidente da Associação Europeia de Construtores de Violinos e Arcos.

Considerados como os Stradivarius portugueses, a construção de um violino CAPELA é algo do reino do hermetismo, e do culto, ali muito próximo da arte de fazer um bom vinho ou destilar um puro malte. Segredos apenas transmissíveis de boca para boca, e por isso muito filiados nas gerações com que uma família pode perdurar no mundo.
Se não há dois violinos CAPELA iguais, também provado ficou, quando Lilia Donkova, 1º violino da OCCO, repetiu integralmente a mesma peça. O som de um violino António CAPELA e o som de um violino Joaquim CAPELA, são já hoje de identidade distinta.

Enfim, um mundo à parte, feito da sua gíria e dos seus segredos e recantos, como as florestas da Europa central onde devem crescer lentamente as árvores apropriadas – o ácer e o pinho - matéria de que é feito um violino, isto para além do tempo, esse grande escultor, que guarda nos seus veios o som que um bom luthier há-de encontrar no seu mester. O envelhecimento em oficina que pode atingir as dezenas de anos, o tipo de verniz, em suma, coisas de quase um sabor conventual mas a apelar para o sentido auditivo (e visual, porque não dizê-lo).

Uma jornada que valeu a pena, aconteceu no passado domingo.


Ver também:

http://pianobar.no.sapo.pt/documentos/tres%20gerações%20de%20violinos%20capela.htm
http://www.shirakawaviolins.co.jp/anotonio.html

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Músicos residentes da OCCO | Mónica Saraiva | Viola e Piano

Iniciou os seus estudos musicais aos 5 anos. Em 1995, integra o curso de instrumento na Escola Profissional de Artes da Beira Interior (EPABI) com o prof. António Oliveira e Silva . Em 2003, terminou a Licenciatura em Violeta pela Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), onde estudou com os professores Alberto Nunes e Pedro Saglimbeni Muñoz.

Trabalhou em vários cursos com prof.ª Ana Bela Chaves e com o Prof. Gerard Caussé.

Em orquestra, trabalhou com António Oliveira e Silva, Bertrand Boudrer, Christopher Bochmann, Gerard Doherty, Leonardo Barros, Luis Cipriano, Manuel Ivo Cruz, Miguel Graça Moura, Nikolai Lalov, Richard Hortien, Stephanie Gonley e Vasco Azevedo.

A convite da ESML, participou em Julho de 2002 na Orquestra de Câmara ERASMUS (Holanda).


Tocou como convidada com a Orquestra Gulbenkian, com a Orquestra Sinfónica e com a Sinfonieta de Lisboa.

Leccionou educação musical a crianças do 1º ciclo do ensino básico na Oficina da Criança (ATL) e no Conservatório Regional de Música da Covilhã.

Actualmente, lecciona no Conservatório de Música de Cascais e na Academia de Música da Orquestra Nacional do Tejo.

Actualmente, é músico fixo da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, onde estagiou entre Julho de 2002 e Julho de 2004.




Fonte: http://www.orchestra-cascais-oeiras.com/monicasaraiva.html

Músicos residentes da OCCO | Tiago Ribeiro | Violoncelo

Nasceu em Lisboa em 1977. Aos seis anos, iniciou os seus estudos musicais com seu pai, ingressando mais tarde na classe do Prof. Celso de Carvalho na Academia de Música de Santa Cecília, com quem concluiu o 5º grau. Estudou, ainda, com o Prof. Levon Mouradian.

Prosseguiu os seus estudos com o Prof. Luís Sá Pessoa, concluindo o Curso Complementar de Violoncelo. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian de 1993 a 1997.

Em 1997 entrou na Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou na classe da Prof.a Clélia Vital, com quem concluiu a sua Licenciatura. Frequentou também master classes de Violoncelo com a Profª Clélia Vital e Josephine Knight e de Orquestra com Bertrand Broudier, na Escola Superior de Música de Lisboa.




Em 2001, participou na master-classe do Prof. Márcio Carneiro no Festival Internacional de Música Costa do Estoril. Tem colaborado com várias orquestras, entre as quais a a Orquestra Gulbenkian, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a Orquestra Sinfonieta de Lisboa, Orquestra do Baixo Alentejo, a Orquestra de Câmara de Braga, a Orquestra Clássica do Algarve, a Orquestra Juvenil Cidade de Évora.

Em 2000, concorreu para a Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras (OCCO), onde foi músico estagiário durante dois anos.

Actualmente, é músico efectivo da OCCO.




Fonte: http://www.orchestra-cascais-oeiras.com/tiagoribeiro.html

Músicos residentes da OCCO | Ana Elisa Ribeiro | Violino

Iniciou os estudos musicais com seu pai, continuando a sua formação na Academia de Música de St.ª Cecília, na classe do Prof. João Nogueira, tendo vindo a terminar o Curso Complementar de violino na classe do Prof. Vasco Brôco, simultaneamente com o curso secundário.

Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian de 1993 a 1996.

Prosseguiu os seus estudos na Academia Nacional Superior de Orquestra com o Fulvio Liviabella. Participou em master classes de violino com os professores Gerardo Ribeiro, Yfrah Neaman e Gareguin Aroutiounian.

Colaborou em diversos concertos como instrumentista convidada na Orquestra Gulbenkian, na Orquestra Metropolitana de Lisboa e em várias orquestras de câmara.

No ano de 2001, foi convidada pela E.S.M.L. a integrar a Orquestra de Câmara Erasmus, que se realizou na Holanda na cidade de Utrecht sob a direcção do professor Charles-André Linale.

Terminou em 2001 a licenciatura em violino na Escola Superior de Música de Lisboa, na classe da Profª. Alexandra Mendes e na disciplina de Música de Câmara na classe da Profª. Clélia Vital.

Foi membro estagiário da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, passando posteriormente a membro efectivo, sob a direcção do maestro Nikolay Lalov

É professora de Violino no Conservatório de Música de Cascais.




Fonte: http://www.orchestra-cascais-oeiras.com/anaelisaribeiro.html

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Solistas | Grazia di Venere | Piano e Cravo

Grazia Di Venere nasceu em Bari (Italia), obtendo aí em 1993 o Diploma de Piano (curso superior) com a classificação máxima, louvor e menção honrosa, no Conservatório de Música “N. Piccinni”, sob a orientação de A. Annese.

Conquistou inúmeros prémios em concursos pianisticos italianos, entre os quais os de Osimo, Caserta, Sestri Levante, Galatina, Mola di Bari, Lamezia Terme, Castellaneta, etc. Frequentou diversas master classes e cursos de aperfeiçoamento pianistico em Itália e no estrangeiro, com importantes professores (Sergio Bonizzato, Sergio Fiorentino, Edith Murano, Alexander Lonquich) tendo-se destacado nos concertos finais dos melhores alunos. Teve também algumas aulas com o celebre pianista Aldo Ciccolini. Apresentou-se regularmente para diferentes associações de concerto italianas, (Auditorium “N. Rota”, Auditorium Vallisa, Rassegna Giannini, A.gi.mus, Ateneo Universitá, etc.) quer em recitais a solo, quer em agrupamentos de câmara (duos, trios, quintetos) obtendo sempre elogios do público e da critica.

Além do piano estudou Música Antiga, obtendo em 1997 o Diploma de Cravo (curso superior) com elevada classificação no Conservatório de Música “N.Piccinni”, aperfeiçoando-se seguidamente com Emilia Fadini.

Como cravista, ganhou uma bolsa de estudo oferecida pelo Rotary Club e participou na “IIª Rassegna migliori diplomati d’Italia” depois uma selecção nacional em Castrocaro Terme e classificou-se finalista no concurso nacional de cravo em Pesaro. Tem muita experiência como pianista acompanhadora, tendo acompanhado ao longo de muitos anos, instrumentos de corda, instrumentos de sopro e canto em exames, concertos, concursos e audições para orquestras em Milano, Roma, Firenze, Cremona, entre outras.

Desde o ano 2000, reside em Portugal leccionando piano, cravo e acompanhamento em Conservatórios de Música e Escolas profissionais (Ponta Delgada, Guarda, Covilhã, Setúbal). Realizou vários concertos a solo como pianista e como cravista: Temporada Musical dos Açores do 2001 e 2002, Festival Baldi da Guarda, Juventude Musical Portuguesa, Teatro Municipal da Guarda, Auditório Municipal de Vila do Conde, Salão Nobre do Conservatório de Lisboa, etc.

Tocou em recital a solo de piano em directo pela radio Antena2, na temporada de 2007, “Concerto aberto – em busca de novos talentos” obtendo muito boas criticas do público especializado.

Actualmente, é professora acompanhadora na Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, e professora de piano no Conservatório de Música de Cascais.




Fonte: http://www.orchestra-cascais-oeiras.com/solistas2008.html

Compositores | Fanny Mendelssohn

Fanny Cäcilie Mendelssohn (November 14, 1805 – May 14, 1847), later Fanny Hensel, was a German pianist and composer, and was the sister of Felix Mendelssohn; they were both the grandchildren of the philosopher Moses Mendelssohn.

Fanny Mendelssohn was born in Hamburg, the oldest of four children. She was descended on both sides from distinguished Jewish families; her parents were Abraham Mendelssohn, (who was the son of Moses Mendelssohn and later changed the family surname to Mendelssohn Bartholdy), and Lea, née Salomon, a granddaughter of the entrepreneur Daniel Itzig.

Fanny benefited from the same musical education and upbringing as her brother Felix, sharing a number of his music tutors, including Zelter. Like Felix (who was born in 1809), Fanny showed prodigious musical ability as a child and began to write music. Visitors to the Mendelssohn household in the early 1820s, including Ignaz Moscheles and Sir George Smart, were equally impressed by both siblings.

However, she was limited by prevailing attitudes of the time toward women, attitudes apparently shared by her father, who was tolerant, rather than supportive, of her activities as a composer. Her father wrote to her in 1820 'Music will perhaps become his [i.e. Felix's] profession, while for you it can and must be only an ornament'. On the other hand, Felix was supportive of her, as a composer and a performer, although cautious (professedly for family reasons) of her publishing her works under her own name. He did however arrange with her for a number of her songs to be published under his own name. In turn Fanny helped Felix by constructive criticism of pieces, which he always considered very carefully.



In 1829, after a courtship of several years, Fanny married the painter Wilhelm Hensel who was supportive of her composing. Subsequently, her works were often played alongside her brother's at the family home in Berlin in the concerts which were held there.
Her public debut at the piano (and only known public performance) came in 1838, when she played her brother's Piano Concerto No. 1.

Fanny Hensel died in Berlin in 1847 of complications from a stroke suffered while rehearsing one of her brother's oratorios, 'The First Walpurgis Night'. Felix himself died less than six months later.

In recent years, her music has become better known thanks to concert performances and a number of CDs being released on labels such as Hyperion and CPO. Her reputation has also been advanced by those researching female musical creativity, of which she is one of the relatively few exemplars in the early 19th century.




Ver também em:

Compositores | Clara Schumann

Clara Schumann, nascida Clara Josephine Wieck (Leipzig, Saxônia, 13 de setembro de 1819 - Frankfurt am Main, 20 de maio de 1896) foi uma pianista e compositora romântica alemã. Era casada com o também compositor Robert Schumann.

Desde muito jovem, aprendeu a técnica do piano com seu pai, Friedrich Wieck. A mãe, Marianne, era um excelente musicista e dava concertos. Quanto Clara tinha 4 anos, os pais se divorciaram, e posteriormente Friedrich ganhou a custódia da menina. Aos 5 Clara começou a ter lições de piano mediante a disciplina rígida do pai. A partir dos 13 anos desenvolveu uma brilhante carreira pianística, apresentando-se em vários palcos pela Europa.

Aos 14 anos, começou a compor o Concerto para piano em lá menor, que foi apresentado quando ela tinha 16, tendo a regência de Felix Mendelssohn.
Destacou-se também pela performance de compositores românticos da época, como Chopin e Carl Maria Von Weber.

Na adolescência iniciou um romance com Robert Schumann que na época era aluno de seu pai. Ao tomar conhecimento da ligação de Robert e Clara, Wieck ficou furioso, pois Robert tinha problemas com a bebida, o fumo e crises depressivas. Preocupado com o futuro da filha, proibiu a relação. A conseqüência foi uma longa batalha judicial, em que, após um ano de litígio, Schumann conseguiu a permissão para desposar Clara, após ela completar 21 anos.

Depois do casamento, Clara e Robert começaram uma longa colaboração, ele compondo e ela interpretando e divulgando suas composições.
Clara continuou a compor, mas a vida em comum era complicada, pois ela foi forçada a parar a carreira por diversos períodos, devido às 8 gestações e, apesar de Schumann aparentemente encorajar sua criação musical, ela abdicou muitas vezes de sua carreira como compositora para promover a do marido. A situação era agravada por várias diferenças entre o casal: Clara adorava tournés, Robert as odiava; ele precisava de silêncio e tranquilidade para praticar, o que significa que Clara ficava em segundo plano, pois somente após o estudos do marido ela poderia ter suas horas de estudo.

Outro problema eram as constantes crises nervosas do marido, que fizeram Clara assumir as responsabilidades familiares sozinha. A pior crise de sua vida aconteceu quando Schumann entrou em depressão crônica, o que obrigou a família a interná-lo num manicômio, onde ficou por dois anos, até sua morte. Após 14 anos de casamento, Clara ficou sozinha com os filhos, tendo que dar aulas e apresentações para sustentar a família.
A partir daí, ironicamente, ela ficou livre para compor e dar concertos, e sua carreira finalmente se desenvolveu. A amizade com Johannes Brahms foi o principal sustentáculo nesse período, o que deu margem a fofocas de que os dois teriam um romance. Foram anos de colaboração mútua, já que os dois artistas eram defensores ferrenhos da estética romântica ligada a um padrão mais formal, e opositores de Wagner e Liszt.
A amizade durou até o final da vida de Clara. Os últimos anos da compositora foram marcados por uma brilhante carreira como professora e o reconhecimento como concertista, chegando até a ser comparada com Liszt.
Ver também em:

Temporada 2008 - Novembro

Domingo, 16 de Novembro às 17h00
Palácio dos Aciprestes

AS OUTRAS SCHUMANN E MENDELSSOHN

Clara Schumann
Trio com piano em Sol menor Op. 17

Fanny Mendelssohn
Trio com piano em Ré Maior Op. 11

Solistas da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras
Grazia di Venere - piano


Entrada gratuita

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Solistas | Gonçalo Pescada | Acordeão

Aclamado pela imprensa como “um dos maiores acordeonistas portugueses da actualidade”, Gonçalo Pescada é considerado um dos maiores talentos da sua geração.

Iniciou os estudos musicais aos 8 anos no Algarve e, posteriormente, continuou a sua formação em Lisboa (Instituto Musical Vitorino Matono), Castelo Branco (Escola Superior de Artes Aplicadas) e França (Centre National et International de Musique et Accordéon).


Entre outros, obteve o 1º Prémio no Concurso Nacional de Acordeão (Alcobaça, 1995) e o 1º Prémio no Concurso Internacional “Citá di Montese” (Itália, 2004). Recentemente, com o 1º Prémio no Concurso de Interpretação do Estoril (Portugal, 2006), Gonçalo Pescada viu a sua carreira tomar um rumo internacional, realizando recitais em Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Alemanha, Itália e Bulgária.

Apresentou-se como solista com a Orquestra do Algarve, OrchestrUtopica, Esart Ensemble, Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, Orquestra Filarmonia das Beiras, Orquestra Académica Metropolitana e Estoril Ensemble, sob a direcção dos grandes maestros Cesário Costa, Nikolay Lalov, Susana Pescetti e Jean Marc Burfin, entre outros.

Foi convidado a participar em Festivais de enorme prestígio como o 33º Festival de Música do Estoril, Dias da Música em Belém 2008, 30º Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim e 39º Sofia Music Weeks International Festival (Bulgária), apresentando-se em salas incontornáveis como o Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, Bulgária Hall e Queen Elizabeth Hall.

Tem gravado para rádios e televisões, destacando-se a RDP Antena 2, a RTP e a Rádio e Televisão Nacional Búlgara.




Fonte: http://www.gpescada.com/

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Propostas Alternativas | Gulbenkian

Concertos comentados para a família
Orquestra Gulbenkian

6 de Dezembro às 16h00 no Grande Auditório

Igor Stravinsky
L'Histoire du soldat (versão integral)

Lawrence Foster (Maestro)
Cristina Molder (Comentadora)


Rui Lopes Graça (Coreógrafo)
Ana Lacerda (Bailarina)*
Fernando Luís (Narrador)

Zoltán Kocsis (Piano)
Ana Beatriz Manzanilla (Violino)
Marc Ramirez (Contrabaixo)
Esther Georgie (Clarinete)
José Coronado (Fagote)
Sérgio Pacheco (Trompete)
Ismael Santos (Trombone)


(*) Com a colaboração da Companhia Nacional de Bailado

Preço: 5,00€ - Plateia e Balcão (sem lugar marcado)


Consultar em: http://www.musica.gulbenkian.pt/

Direcção Pedagógica | Stela Lalova

Stela Lalova começou a estudar aos cinco anos de idade e estreou-se em público com um programa de recital completo aos 14 anos.

Em 1971, ganhou a medalha de ouro que lhe foi atribuída pelos estudos na Escola de Música L. Pikov de Sófia, com o Prof. Aladjem e que permitiu a sua entrada na Academia Superior de Música de Sófia, onde se formou entre 1971-1976.

Em 1976, ganhou de novo a medalha de ouro pelos estudos realizados na Academia Superior.

Durante o período de 1977 a 1987, trabalhou como professora de composição e educação musical e auditiva na Escola de Música L. Pikov de Sófia.

Em 1987, começou a trabalhar como professora de composição e educação musical e auditiva na Academia Superior de Sófia e também como professora de piano, educação musical e método do ensino do piano na Universidade Nacional de Sófia.

Escreveu diversos artigos sobre música e educação musical e compôs diversas canções para crianças e música ligeira, tendo gravado obras suas.

Desde 1990 vive em Portugal onde leccionou em várias escolas piano, formação musical e técnica de composição. Escreveu a ópera para crianças “ Um Sonho Mágico”.

É membro da Junta de Músicos Búlgaros e da Junta de Compositores Búlgaros.


Actualmente é professora de piano no St. Julian School, directora pedagógica e professora de Piano, Formação e Iniciação Musical no Conservatório de Música de Cascais.




Músicos residentes da OCCO | Viktoria Chichkova | Violoncelo

Nascida em 1971, em Sófia, começou a estudar violoncelo aos sete anos na Escola Profissional de Música de Sófia, sob a direcção da Prof. Todor Baharov.Em 1982, ganhou o 2º prémio no Concurso Nacional “Svetoslav Obretenov”, para crianças até aos 12 anos.

Em 1986, ganhou o 1º prémio Concurso Nacional para Música de Câmara. Fez a sua estreia como solista em 1988, com diversas orquestras (Sófia, Shumen, etc.).

Em 1989, ganhou o 1º prémio no Concurso “Jovens Talentos” em Kjustendil. Também em 1989, gravou para a Rádio Nacional o Concerto para Dois Violoncelos e Orquestra, de A. Vivaldi e outras obras para Música de Câmara. Fez também gravações para a Televisão Nacional da Bulgária.

Frequentou cursos internacionais para violoncelo em Itália e nos Estados Unidos da América, onde ficou durante dois meses.

Prosseguiu os estudos de especialização em violoncelo na Academia Superior de Música de Sófia, entre 1990 e 1995. Após concluir estes estudos, veio residir com a família em Portugal.

Desde 1996, que toca com a Orquestra de Câmara Cascais e Oeiras. Em 1998, começou a leccionar na Escola Profissional de Música de Évora, como professora de violoncelo e música de câmara.

Actualmente, é membro efectivo da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, sob a direcção do Maestro Nikolay Lalov, e é professora de violoncelo no Conservatório de Música de Cascais.





Fonte: http://www.orchestra-cascais-oeiras.com/vicktoria.html

Compositores | Astor Piazzolla

Astor Pantaleón Piazzolla nace el 11 de Marzo de 1921 en Mar del Plata, Argentina, hijo único de Vicente Nonino Piazzolla y de Asunta Mainetti. En 1925, la familia se radica en Nueva York hasta 1936 con un fugaz retorno a Mar del Plata en 1930.

En 1929, cuando Astor tenía 8 años, su padre le regala su primer bandoneón que compra en una casa de empeños por 19 dólares. Estudia el bandoneón un año con Andrés DÁquila y realiza su primera grabación, Marionete Spagnol; un acetato (no comercial) producto de una intervención radiofónica en la Radio Recording Studio de Nueva York el 30/11/1931.
En 1933 toma clases de música con el pianista húngaro Bela Wilda, discípulo de Rachmaninov y del que más tarde dijera "Con él aprendí a amar a Bach". Poco después, conoce a Carlos Gardel que se hace amigo de la familia y con quién toma parte en una escena de la película El día que me quieras en el papel de un diminuto canillita. Esta imagen fílmica posee un valor emblemático en la historia del tango.
En 1936, retorna con su familia definitivamente a la Argentina, a Mar del Planta, en donde comienza a actuar en algunos conjuntos.Y allí hace su segundo gran descubrimiento después del Bach de Bela Wilda, al escuchar por radio al sexteto de Elvino Vardaro, quién años más tarde sería su violinista. Esa forma distina de interpretar el tango lo impacta profundamente y se convierte en su admirador. La inclinación de Astor por el tango y, en especial, por ese tipo de tango que comienza a prender con fuerza en su espírítu y en su ánimo, lo lleva a radicarse en Buenos Aires, en 1938. Tenía solo 17 años.
Alterna en diversos conjuntos de segundo orden hasta que en 1939 concreta su sueño: ingresar como bandoneonista en una de las grandes orquestas de esos años, la de Aníbal Troilo Pichuco, que fué uno de los mejores intérpretes de bandoneón y a quién Astor reconoce como uno de sus maestros.

Astor siente la necesidad de avanzar musicalmente, y ya siendo el arreglador de la orquesta de Troilo, inicia en 1941 sus estudios musicales con Alberto Ginastera y más tarde, en 1943, estudia piano con Raúl Spivak.. En 1942 se casa con Dedé Wolff y de éste, su primer matrimonio, nacen sus dos hijos: Diana en 1943 y Daniel en 1944. Sus arreglos son demasiado avanzados para la época y terminaron por hacer que Troilo se los corrigiera para no espantar a los bailarines de las pistas.

En 1943, inicia sus composiciones de carácter "erudito" con la Suite para Cuerdas y Arpa y en 1944 deja la Orquesta de A. Troilo para dirigir la orquesta típica que acompaña al cantor Francisco Fiorentino hasta 1946, en donde forma su primera orquesta que disuelve en 1949. Con esta orquesta, de formación similar a las demás orquestas típicas de la época comienza a desarrollar su impulso creador con composiciones y orquestaciones con un mayor criterio armónico y dinámico. Ese tango, del joven y audaz director, más moderno y distinto empieza a provocar las primeras polémicas entre los tangueros clásicos.
En 1946 compone el tango El Desbande, considerado por Piazzolla como su primer tango por poseer una estructura formal diferente y poco después, comienza a componer música para películas.

En 1949 siente la necesidad de disolver la orquesta, apartarse del bandoneón, y casi del tango. Busca algo distinto, otro destino. Sigue estudiando Bartok y Strawinski, estudia dirección orquestal con Herman Scherchen, escucha mucho jazz. Su búsqueda se hace obsesiva persiguiendo un estilo, una música que no tenga nada que ver con el tango. Todo era muy confuso y Astor decide abandonar el bandoneón para dedicarse a escribir y a profundizar sus estudios musicales. Tenía 28 años.

Entre 1950 y 1954 compone un grupo de obras, claramente distintas ya de la concepción del tango hasta ese momento, y en donde comienza a definir su estilo: Para lucirse, Tanguango, Prepárense, Contrabajeando, Triunfal, Lo que vendrá.
En 1953 presenta la obra Buenos Aires (Tres movimientos Sinfónicos) - compuesta en 1951- en el concurso Fabien Sevitzky. Piazzolla gana el primer premio y la obra es interpretada en la Facultad de Derecho de Buenos Aires por la Orquesta Sinfónica de Radio del Estado con el agregado de dos bandoneones y bajo la dirección del propio Sevitzky. Estalla el escándalo, por las peleas a trompadas que se desencadenaron al finalizar el concierto, debido a la indignación que provocó en cierto sector "culto" del público, la incorporación de dos bandoneones a una orquesta sinfónica.

Uno de los premios que ganó en este concurso, fué una beca otorgada por el gobierno francés para estudiar en París (adonde viaja en 1954), con Nadia Boulanger, considerada en aquellos tiempos como la mejor pedagoga que había en el mundo de la música. Al principio, Piazzolla trata de ocultar su pasado tanguero y de intérprete de bandoneón creyendo que su destino estaba en la música clásica. Este punto de conflicto queda resuelto después de sincerarse ante Boulanger y de interpretar para ella su tango Triunfal. De allí surge una recomendación histórica: "Astor, sus obras eruditas están bien escritas pero aquí está el verdadero Piazzolla, no lo abandone nunca".

Después de este episodio Piazzolla retorna al tango y a su instrumento, el bandoneón. Lo que antes era la música erudita o el tango, ahora ha de ser la música erudita y el tango, pero del modo más eficaz: tratar los recursos de la música erudita con la sangre del tango. En París, compone y graba una serie de tangos con una orquesta de cuerdas francesa y comienza a ejecutar el bandoneón de pié, apoyando una pierna sobre una silla, rasgo que va a caracterizar su puesta en escena.

Cuando Piazzolla vuelve a la Argentina (1955) continúa con la orquesta de cuerdas y además forma un conjunto, el Octeto Buenos Aires, que es el inicio de la era del tango contempóraneo. Con una formación de dos bandoneones, dos violines, contrabajo, cello, piano y guitarra eléctrica, produce innovaciones compositivas e interpretativas que van produciendo una ruptura con el tango tradicional, profundiza un criterio camarístico que se independiza del modelo clásico de la orquesta típica y donde no tienen lugar el cantor y el bailarín. Comienza su revolución solitaria y a ganarse la eterna enemistad de los tangueros ortodoxos, despertando en su contra las más impiadosas críticas. No se desalienta y sigue por el camino que siente más que nunca como suyo, pero los sellos y los medios le hacen un fuerte boicot. En 1958 disuelve el Octeto y la orquesta de Cuerdas y viaja a Nueva York a trabajar como arreglador.

Entre 1958 y 1960 actúa en Estados Unidos, donde realizó la experiencia negativa del Jazz-Tango y donde a raíz de la muerte de su padre, en Octubre de 1959, escribe en Nueva York, su famoso Adiós Nonino. Al retornar, conformó el primero de sus célebres Quintetos, denominado Nuevo Tango (bandoneón, violín, bajo, piano y guitarra eléctrica). El Quinteto fué el conjunto que más perduró y el más querido por Piazzolla; la síntesis musical que expresó mejor sus ideas.

En 1963 estrena bajo la dirección de Paul Klecky : Tres Tangos Sinfónicos (Premio Hirsch) y en 1965 graba dos de sus discos más importantes : Piazzolla en el Philarmonic Hall de New York, que reproduce las obras del concierto con el quinteto en mayo de 1965 en ese sitio; y El Tango de valor histórico producto de su unión con Jorge Luis Borges.

En 1966 se separa de Dedé Wolff. En 1968 inicia su extensa labor con el poeta Horacio Ferrer con quien compne la "operita" María de Buenos Aires; comienza una nueva experiencia: el tango canción. En esa época inicia su pareja con la cantante Amelita Baltar.
En 1969, junto a Horacio Ferrer compone Balada para un loco, presentada en el primer Festival Iberoamericano de la Canción, donde se le concede un polémico segundo premio. Esta obra resultó su primer impacto realmente popular, estrenada por Amelita Baltar con el propio Piazzolla en la dirección de la orquesta.

En 1970, vuelve a París donde compone junto con Ferrer el oratorio El Pueblo Joven, cuyo estreno tiene lugar en Saarbruck (Alemania) en 1971 y en ese mismo año forma el Conjunto 9, actuando en Buenos Aires y en Italia donde graba varios programas para la RAI. Este conjunto fué como un gran sueño para Piazzolla : el conjunto de cámara que siempre quiso tener y donde produjo tal vez su música más elaborada, pero ante la imposibilidad de sostenerlo la realidad lo llevó a su disolución.

En 1972 se produce su primera actuación en el Teatro Colón de Buenos Aires, compartida con otras orquestas de tango. Y en 1973, luego de un período de gran producción como compositor, sufre un infarto que lo obliga a reducir su actividad artística.
Ese mismo año decide instalarse en Italia donde inicia una serie de grabaciones que cubren 5 años, siendo la más célebre Libertango, obra que debe ser considerada como su carta de presentación ante el público europeo.

En estos años forma el Conjunto Electrónico: un octeto constituído por bandoneón, piano eléctrico y/o acústico, órgano, guitarra y bajo eléctricos, batería, sintetizador y violín, que luego fuera sustituido por flauta traversa o saxo. Posteriormente en 1975 se incorpora como cantante José A. Trelles y alternan en el conjunto músicos argentinos y europeos. Este conjunto no tenía nada que ver con los anteriores, y algunos lo consideran como una aproximación al jazz-rock; pero según decía el mismo Piazzolla : "Ahí estaba mi música, tenía olor a tango y no a rock"

En 1974 se separa de Amelita Baltar. Ese mismo año graba con el saxofonista Gerry Mulligan un disco memorable : Summit, con una orquesta de músicos italianos. La música que Piazzolla compone para este disco se caracteriza por el tratamiento exquisitamente melódico del bandoneón y del saxo, sobre una base esencialmente rítmica. En 1975, muere Aníbal Troilo y en su memoria compone la Suite Troileana, obra en cuatro movimientos, que graba con el conjunto electrónico, con la participación de A. Agri en violín.

En 1976 conoce a la que sería su última mujer, Laura Escalada. En diciembre de ese mismo año se lleva a cabo un explosivo concierto en el teatro Gran Rex de Buenos Aires, donde presenta su obra 500 Motivaciones, escrita especialmente para el conjunto electrónico. En 1977, registra otro memorable concierto en el Olympia de París, con un conjunto similar al anterior, pero con músicos de procedencia más cercana al rock. Esta es la última formación de carácter eléctrico. Piazzolla repentinamente deja de tomar como referencia la sonoridad internacional del tipo Chick Corea y a pesar de que el conjunto electrónico hacía buena música, no lo considera el verdadero Piazzolla. Nace entonces, en 1978, la segunda etapa del Quinteto, la que lo consolidó en los escenarios el mundo. También reinicia una etapa donde se dedica a las composiciones de carácter camarístico y sinfónico.

Los próximos diez años son los mejores de Piazzolla en cuanto a su difusión. Se intensifican las giras por todo el mundo: Europa, Sudamérica, Japón y Estados Unidos. En un período que llega hasta 1990, realiza una vertiginosa serie de conciertos, fundamentalmente con el Quinteto, y también como solista de orquestas sinfónicas y de cámara; y en los últimos años con su última formación, el Sexteto, y con Cuartetos de cuerda. Se realizan numerosas grabaciones en vivo de esos conciertos, editadas en CD. Este hecho confirma de algún modo algo que se ha dicho frecuentemente : la música de Piazzolla no existe si no es interpretada por él; lo físico es una característica de su estilo, al que podríamos definir como una estética del cuerpo en estado de música.

En 1982 escribe Le Grand Tango, para Cello y Piano dedicada al gran cellista ruso Mtislav Rostropovitch y que fuera estrenada por éste en 1990 en New Orleans y en Junio de 1983 se produce uno de los hechos más significativos de su vida: se presenta con un programa íntegramente dedicado a su música en el Teatro Colón de Buenos Aires, principal escenario de la música clásica de la Argentina. Para la ocasión reagrupa al Conjunto 9 y también interviene como solista con la Orquesta Sinfónica dirigida por Pedro I. Calderón, interpretando su célebre Concierto para Bandoneón y Orquesta.

En 1984 actúa con la cantante Milva, registrando el disco Live at the Bouffes du Nord y en Viena con el Quinteto donde graba el CD Live in Wien. En 1985 es nombrado Ciudadano ilustre de Buenos Aires y estrena el Concierto para Bandoneón y Guitarra : Homenaje a Lieja, con la dirección de Leo Brouwer en el Quinto Festival Internacional de Guitarra en Bélgica.

En 1986 recibe en París el Premio Cesar por la banda sonora del film "El exilio de Gardel" y graba junto a Gary Burton la Suite for Vibraphone and New Tango Quintet, en vivo en el festival de Jazz de Montreux, Suiza. En 1987 graba con la Orquesta de St. Luke's, dirigida por Lalo Schifrin, el Concierto para Bandoneón y Tres Tangos para Bandoneón y Orquesta.
El concierto que tiene lugar en 1987, en el Central Park de New York frente a un público masivo, posee para Piazzolla el valor de una reivindicación histórica. La ciudad donde pasó su infancia, donde quedó subyugado por la música de Bach y el Jazz y donde fracasó en 1958, finalmente le presta atención a su música. Los discos editados en USA en los últimos años de los 80's lo documentan : Tango Zero Hour, Tango Apasionado, La Camorra, Five Tango Sensations (con el Kronos Quartet), Piazzolla con Gary Burton, etc.

En 1988, pocos meses después de grabar el que sería el último disco con el Quinteto (La Camorra), es sometido a una operación de cuatro by-pass cardiovasculares. Poco después, a principios de 1989, forma el que sería su último conjunto: el Sexteto Nuevo Tango de características inusuales: dos bandoneones, piano, guitarra eléctrica, contrabajo y violoncello. Con este conjunto, en el mes de Junio de ese año se presenta en el Teatro Opera de Buenos Aires en el que seria su último concierto en Argentina y realiza un extensa gira por Estados Unidos, Alemania, Inglaterra y Holanda.

A fines de 1989 disuelve este conjunto y continúa presentándose como solista con cuartetos de cuerdas y orquestas sinfónicas. Hasta que el 4 de Agosto de 1990, en París, sufre una trombosis cerebral. Después de casi dos años de sufrir las consecuencias de esta enfermedad, muere en Buenos Aires el 4 de julio de 1992.
Su obra, compuesta por más de 1000 temas, en la que consigue una singularidad creadora e insoslayablemente argentina, comienza a tener influencias sobre los mejores músicos del mundo y de distintos géneros, como el violinista Gidon Kremer, el chelista Yo-Yo-Ma, el Kronos Quartet, los pianistas Emanuel Ax y Arthur Moreira Lima, el guitarrista Al Di Meola, los hermanos Assad, y numerosas Orquestas de Cámara y Sinfónicas. Una obra que se caracteriza por su potencia estética y su rasgo único, casi solitario. No se parece a ninguna otra música: al escucharla estamos obligados a cuestionar los géneros y empezar por decir: esto es Piazzolla. Impacta y fascina. Se trata de un 'lenguaje' que ha conseguido un estilo inquebrantable. Con elementos dispares y rebeldes (el jazz, la música clásica, la exploración tímbrica) produce una obra única bajo el drástico pulso de su tango.